Ser mãe atípica é viver em contato constante com emoções intensas.
Preocupação, medo, culpa, amor profundo, exaustão, esperança. Tudo junto, muitas vezes no mesmo dia.
Há momentos em que sentir demais cansa.
E outros em que não sentir parece a única forma de continuar funcionando.
Muitas mães aprendem, sem perceber, a engolir o que sentem. Não porque querem, mas porque a rotina exige, porque não há tempo, porque ninguém pergunta como elas estão de verdade. Aos poucos, o corpo segue, mas por dentro algo vai ficando pesado.
Cuidar da saúde emocional não significa eliminar emoções difíceis. Significa aprender a reconhecê-las, dar nome ao que se sente e criar espaço interno para que elas existam sem dominar tudo.
Emoções não acolhidas costumam aparecer de outras formas: no cansaço extremo, na irritabilidade constante, na dificuldade de dormir, no choro que vem sem aviso ou na sensação de estar sempre no limite.
Quando existe um espaço seguro de escuta, algo muda. A mãe pode falar sem medo de julgamento, sem precisar ser forte ou positiva o tempo todo. Pode admitir que está cansada, confusa ou sobrecarregada — e isso não a torna menos mãe, menos amorosa ou menos capaz.
Cuidar da saúde emocional é um processo. Não acontece de uma vez, nem segue um caminho linear. É feito de pequenos movimentos: reconhecer limites, respeitar o próprio ritmo, permitir-se pedir ajuda.
Quando as emoções encontram acolhimento, elas se organizam. E, aos poucos, a vida vai ganhando mais espaço para respirar — mesmo dentro de uma realidade que continua exigente.
Você não precisa dar conta de tudo sozinha.
Cuidar das suas emoções também é uma forma de cuidar de quem você ama.
